Notícias

O que muda (ou já mudou) no varejo com o novo Coronavírus

29 de abril de 2020

A essa altura do campeonato, não é de se surpreender que, em pouco tempo e escala global, muita coisa já tenha mudado no varejo. A pandemia de Covid-19 forçou a criação de novos hábitos e deu origem a paradigmas que ainda estão sendo avaliados pelo mercado, mas que já demandaram resoluções práticas com resultados tangíveis.

Na gênese dessas metamorfoses, em análise da Gouvêa Liderança em Negócios, está a mudança de “share of wallet”, as fatias de investimento do público consumidor, em curtíssimo prazo. Segmentos como os de turismo, lazer, vestuário, calçados e materiais de construção foram, de repente, frontalmente atingidos pelas posturas exigidas no combate ao novo Coronavírus: isolamento social, ou seja, cancelamento de eventos com aglomeração de pessoas ao redor do mundo, paralisação de obras, dentre tantas que fizeram com que o capital desses setores migrasse, basicamente, para alimentos, produtos de limpeza e higiene, bebidas, medicamentos, eletrônicos e serviços online.

Indiscutivelmente, o comércio através das plataformas virtuais já demonstra ser o principal contrapeso dessa balança em meio a crise. Uma clara mudança de cenário que fez com que novos serviços de delivery crescessem muito mais do que esperavam em muito menos tempo enquanto empresas que ainda estavam fora desse universo foram forçadas a se adaptar, e de preferência de forma ágil, gerenciando a crise com um olho no hoje e o outro na esperança de uma recuperação em igual curto prazo.      

O contato físico reduzido entre cliente e loja, entretanto, marca um período de menor fidelidade do público consumidor com suas marcas e produtos de preferência. É evidente que o contexto aponta para preocupações maiores da parte de quem compra, do que meramente manter uma tradição. Mas essa é uma mudança em cadeia, pois da mesma forma este consumidor estará chancelado a conhecer novas fontes para acessar o que precisa. Uma espécie de “modernidade líquida”, do Bauman, sendo posta a prova no varejo sob duras penas.

Outra nova tendência que o momento sugere vai ao encontro da psiquê de empresários, investidores e lojistas do mundo todo: uma remodelada e abrangente dimensão da percepção de risco do mercado. Apesar de muito se falar sobre cautela, preparação para gerenciamento de crises, fundos para salvaguarda em tempos de aperto dos cintos, a amplitude do que pode acontecer e mudar a dinâmica de algo gigante como o varejo precisa ser constantemente reconfigurada, sob o prisma dos grandes players da economia mundial. Os pequenos e médios empreendedores precisarão estar mais atentos do que nunca, a partir de então, nas possíveis oscilações que podem abalar o que, vezes, representa sua principal fonte de renda.

Por fim, uma mudança anunciada e que só veio a se fortalecer com a pandemia é o, cada vez mais necessário, posicionamento das empresas mediante o que vem movendo a sociedade e a opinião pública. Os olhos dos consumidores estão voltados para o que as marcas estão fazendo nesse momento – se agindo eticamente ou simplesmente demitindo seus colaboradores a despeito de quaisquer outros esforços, se cumprindo as recomendações das organizações de saúde ou colocando a vida de milhares, milhões de pessoas em risco.

É tempo de reunir esforços para planejar e compreender como mudar junto com o varejo para não perdê-los de vista: o varejo e a sua clientela.   

Notícias relacionadas

Carteira de trabalho digital: praticidade para lojistas e colaboradores

Sua chegada, ainda de forma tímida no cenário das relações trabalhistas, esconde o grande avanço que representa. A nova carteira de trabalho, agora em versão digital, substitui o tradicional documento de papel e promete facilitar a vida de empregadores e empregados. A Mudança A versão digital da carteira foi lançada em 2017, mas só recentemente […]

ver mais