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Digital Twins: disrupção e evolução no mercado

9 de abril de 2021

O que é, ou melhor, o que são?

O ano é 2021 e o marketplace abre alas para discutir a usabilidade dos Digital Twins, ou no bom português, os “Gêmeos digitais”. A tradução literal até que consegue ter sucesso em sugerir o que essa tecnologia representa, mas seu desenvolvimento foi e é muito mais complexo do que o nome lúdico indica.

Em tempo, o nome por trás do conceito é Michael Grieves, cientista, engenheiro e ex-consultor da Nasa, que no início dos anos 2000 trabalhou nesse projeto que, somente agora, há poucos anos, começou a ser utilizado e visto como ferramenta de disruspção no mercado, respondendo a algumas das principais demandas da contemporaneidade.   

Com a tecnologia dos Digital Twins é possível utilizar o conjunto de dados virtuais que representam um objeto físico gerando uma espécie de simulacro, uma réplica digital capaz de simular todas as condições reais dos produtos ou negócios.

Em pratos limpos, é como se um investidor pudesse ter acesso a uma versão digital do produto ou serviço que deseja financiar e fosse capaz de analisá-lo em todos os aspectos e cenários. Nos Estados Unidos e na Europa, a ferramenta também já começa a chegar ao consumidor varejista, que, em pleno momento de pandemia, se vê na possibilidade de usar mais esta tecnologia a seu favor, ganhando ainda mais segurança e praticidade na hora de realizar uma compra, sobretudo em larga escala.

Do macro ao micro       

Mais de US$ 3,1 bilhões já foram movimentados no mundo em Digital Twins, só em 2020. Mas a previsão da ADS Reports é de que essa cifra cresça de forma exponencial nos próximos anos, chegando à casa dos US$ 48,2 bilhões em 2026. Isso se dá, justamente, pelo compartilhamento da tecnologia – que é, de cara, cara para parte do mercado – dos grandes players de indústrias gigantescas como as de combustíveis, estatais, petroleiras, mineradoras, usinas de energia, para os gigantes do varejo global.

De antemão, os “gêmeos digitais” foram concebidos para o macro, com o uso de sensores para a captação das informações sobre o objeto físico e o processamento destas em forma de dados virtuais, como explica o engenheiro Alexandre Nascimento, pesquisador da Universidade de Stanford.

Com a evolução tecnológica, a ferramenta ganhou formas de avançar ainda mais, tendo por base conceitos de computação quântica e inteligência artificial. Nos Países Baixos, por exemplo, já tem sido utilizada pelas grandes marcas varejistas para prever a perenidade dos produtos fabricados – e dos processos utilizados em seu desenvolvimento, por exemplo – bem como por investidores e consumidores para avaliações criteriosas.

O pesquisador Alexandre Nascimento também destaca mais uma usabilidade dos Digital Twins nesse momento pandêmico.

“Em situações de pandemia, como a que estamos vivendo, os funcionários que precisam interagir com máquinas em linhas de produção, não precisariam mais estar fisicamente presentes na planta, podendo trabalhar de suas residências, utilizando tecnologias imersivas como óculos de realidade virtual e outros dispositivos de feedback apático”, conclui.

Uma realidade em empresas como a Petrobrás e Vale, no Brasil, os Digital Twins se preparam para desembarcar nos processos do mercado varejista. Ainda há muito o que observar sobre as usabilidades da tecnologia no país, mas a certeza é que ela surge para afunilar ainda mais a relação incontornável entre o comércio físico e o digital, a ponto de ambos se parecerem cada vez mais. Quase gêmeos!   

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