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Conceitos e previsões da NRF para 2021

13 de março de 2021

Maior associação do setor varejista no mundo, é a National Retail Federation (NRF) que representa o segmento nos Estados Unidos. Todos os anos, o órgão realiza o já tradicional Retail’s Big Show, evento que conta com uma série de palestras, workshops e painéis com diversos players de peso no mercado, traçando panoramas, previsões e estratégias para o ramo nos próximos meses.

Esse ano, a primeira “grande amostra” do varejo norte-americano aconteceu de forma totalmente virtual em janeiro, ocasião inédita em mais de 100 anos de história do evento. O formato não poderia estar mais alinhado com o estágio atual do segmento ao redor do mundo: limitado por efeito da pandemia de Covid-19, mas em busca de soluções inovadoras para desnovelar processos e retomar o caminho do crescimento.

Como de costume, no encontro, várias alternativas foram sugeridas e análises traçadas visando entender como será este 2021 para o mercado americano e mundial, e como o varejo pode se comportar para vencer os desafios desses tempos. Alguns panoramas são extremamente pertinentes para refletirmos à luz do nosso cenário local.

O que aprender com a NRF

Uma das preocupações centrais deste Big Show foi com a logística do setor e a necessidade urgente do retorno de investimentos na infraestrutura dos transportes por parte dos governos. Anualmente, no Brasil, o varejo movimenta cerca de R$ 700 milhões em cargas, segundo dados do Banco Mundial. Mas a predominância da concentração rodoviária desse transporte no país adiciona riscos à atividade varejista, que até já sentiu os reflexos diretos dessa oligarquia rodoviária quando em ocasião da greve dos caminhoneiros, em 2018.

Anualmente, no Brasil, o varejo movimenta cerca de R$ 700 milhões em cargas

De lá até aqui, pouco ou nada mudou e o Brasil segue sendo o país com maior contingente de cargas movimentadas nas estradas, cerca de 75%, segundo a Fundação Dom Cabral, contra módicos 26,6% em solo estadunidense. A mobilização pelo investimento em meios mais dinâmicos, como o ferroviário – preferido pelos americanos, com 46,6% do total das cargas – é pauta antiga e que precisa ser retomada, pois tende a representar avanços na segurança do envio do estoque, baratear custos, gerar novos empregos e animar o mercado.

Outra discussão inescapável, necessária e complexa se deu no sentido das integrações entre o varejo físico e o e-commerce, apontando na direção da experiência de compra híbrida como a saída mais poderosa para o momento. Para potencializa-la, foi-se debatido a assertividade dos novos meios de pagamento, a segurança dos pagamentos sem contato, e o recurso da compra com hora marcada no PDV – que se apresentou como um verdadeiro sucesso entre os norte-americanos, mas ainda tem sido pouco explorada pelo de cá e a previsão é que ganhe maior popularidade este ano.

Por outro lado, o conceito de Fast Delivery foi um dos mais alardeados e tem sido apontado como grande aposta para o setor em 2021. Comprar um produto de razoável complexidade e receber no mesmo dia já é uma realidade, até mesmo no Brasil. O desafio agora é reduzir, cada vez mais, esse tempo de espera do consumidor, tornando sua jornada de compra ainda mais pragmática e satisfatória.

E nessa seara onde cada vez mais tudo se resolve “na nuvem”, outra reflexão pungente é quanto ao armazenamento e uso de dados – dos clientes e também dos próprios empreendimentos. É preciso que mercado, lojistas, instituições financeiras e de segurança virtual atuem lado a lado, e com a máxima cautela, de modo a blindar estes que são dos bens mais valiosos dos nossos tempos.

Colaboradores a donos das marcas, todos precisam ser capacitados quanto à correta, e segura, forma de administração de dados nas plataformas virtuais. É importantíssimo que cada empresa mergulhe nessa questão de forma especializada, de modo a evitar falhas e ganhar a confiança dos consumidores com sistemas eficazes e transparentes.

A NRF ainda volta a se reunir, novamente de forma virtual, no mês de junho. Quando lá, voltaremos aqui para avaliar o que avançamos mediante esse cenário inicial e para seguirmos refletindo sobre o que podemos aprender com a turma do varejo na terra do tio Sam.

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